29
May
2010
2 comentários
Algumas reflexões sobre cultura corporativa
Para “encher linguiça”:
Há mais de um ano do último post do Cuducos, eis-me aqui novamente tentando atualizar o “Cultura em processo”.
Quando idealizei esse blog (logo após o décimo sétimo Encontro Nacional dos Estudantes de Design ou, intimamente, NDesign) pensei em algo bastante ensaístico, muito leve e solto.
Compartilhei esse sonho com amigos como o Cuducos e o Marcinho, e eles começaram a escrever de um jeito muito mais “acadêmico” e “rebuscado” do que eu imaginava inicialmente. Acho que essa maneira mais hermética de escrever somada à todos os outros compromissos que minha recém vida profissional apesentava me desencorajaram a continuar atualizando este blog.
Porém agora, depois de uma crise de euforia, entendi que, para mim, escrever é mais do que um hobbie. É uma necessidade vital. Destarte (acho mais bonito do que portanto), meus posts serão leves, sem muita teoria. O que pretendo apresentar é a MINHA VISÃO sobre CULTURA. Pra mim, cultura é tudo aquilo que o homem cria e, de certa forma, cultiva. Em processo, porque a cultura é uma obra aberta (como Umberto Eco e o Marcinho dizem), ou seja, a todo momento estamos re-definindo (re-pensando, re-criando) a cultura.
Assim, dividirei abaixo com vocês, algumas reflexões iniciais sobre um tipo específico de cultura: a corporativa. É sabido que a marca “Coca-Cola” vale mais do que todos os “bens materiais-físicos-tangíveis” (prédios, computadores, fábricas, caminhões) da empresa. Isso nos revela que existe algo muito poderoso (e intrigante) nas empresas que têm consciência do potencial encantador de suas marcas. Apresentarei dois casos que vivenciei há pouco tempo e revelam extremos opostos no que tange à cultura corporativa.
PS: Prometo que tentarei escrever “mais fácil” no texto abaixo.
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Para quem quer ler rápido:
Pão de Açúcar: O Glocal consciente.
Vinte e duas horas de um sábado frio. São Paulo, capital. Jardim Guedala. Minha mãe me convida para ir ao Pão de Açúcar comer um Panino. Não sabia o que era isso, mas lembrei que uma amiga próxima que acabou de voltar de Milão falou desse pão. Chegando no Pão de Açúcar tive uma surpresa: estava lotado. Logo quando entrei vi muitas flores bonitas sendo vendidas ao lado da loja da Taeq (pra mim a melhor “marca própria” do país). Entrando, vi um espaço tão envolvente quanto o do Starbucks, mas com muitos livros (uma Laselva Pocket) e pessoas de todos os tipos e idades sentadas conversando. Vi também muitas pessoas (principalmente adolescentes) comprando bebidas alcoólicas. Minha mãe resolveu comprar carne (segundo ela o Pão de Açúcar dá desconto em carnes no final de semana para manter o movimento). Ela já conhece o código do açogueiro: para fatiar a peça é necessário dar uma gorjeta para os meninos. Conversamos com algumas pessoas que estavam fazendo compras e que nos disseram: “Gosto muito de vir aqui, esse é o supermercado do bairro”. Continuando a andar, me surpreendi com a barraquinha com artesanato brasileiro a um bom preço. Quando vi essa “barraquinha” me lembrei de um conceito aprendido na aula de antropologia: Glocal. Não sei quem fala sobre isso, mas acho que pode ser o Maffesoli (Cuducos e Marcinho podem me ajudar com isso). No Pão de Açúcar tem tanto o Panino (tipicamente italiano) quando o artesanato mineiro (tipicamente brasileiro) em um lugar tipicamente regional (o supermercado de bairro). Ah, no final não comi o panino: não tinha mais a massa. Também pedi o “um centavo” que o Abílio insiste em passar a mão. Apesar dos pesares, entendi que o Pão de Açúcar realmente é o lugar de gente feliz que não gosta de ir longe para se divertir.
Real-Santander: O pesadelo de uma integração mal planejada.
Não posso me estressar. Vou tentar escrever isso rapidamente para não me irritar ainda mais. Gostava tanto do Real. Pra mim era o banco contemporâneo. O banco da sustentabilidade. O banco que ajudava os universitários. Quando soube da integração com o Santander achei muito legal, porque pensei: poxa, o Real vai ficar maior e vai se juntar com o banco que comprou o Banespa. Doce ilusão. Vou registrar aqui brevemente o desastre que é a minha relação com o Santander. Prefiro itemizar para não entrar em detalhes:
Ode ao limite do cheque especial:
- Parcelei a dívida do meu TCC em 05 vezes;
- O Santander me disse que meus limites do banco seriam reduzidos;
- Eu concordei:
- Alguns limites se reduziram, porém meu cheque especial se manteve;
- Achei que eles tinham pensado em mim e fiquei feliz =];
- Faltando um mês para terminar de pagar a minha dívida recebo um telegrama: O Santander vai rever seus limites;
- Fiquei preocupado;
- Uma semana depois meu cheque especial é reduzido em 65%;
- Ligo para minha gerente desesperado;
- Ela não tem alçada para fazer nada;
- Ela manda uma carta para o Santander;
- O Santander diz que não pode fazer nada;
- Eu sofro;
- Meu limite foi restituído há uma semana.
Ode ao call center
- Preciso depositar um cheque no Santander;
- Ligo para o Call Center do Real para saber onde tem uma agência Santander mais próxima da minha casa;
- A atendente do Real diz que a integração ainda não está completa e que ela não tem acesso às agências do Santander (COMO ASSIM? É SÓ ATUALIZAR UM SCRIPT…);
- A atendente do Real (que tem Call Center próprio) foi pró-ativa e entrou na internet para buscar no site do Santander (ainda tem um DNA Real aí…risos);
- Tentei depositar em três locais diferentes e em todos eles o sistema estava fora do ar;
- Fiquei MUITO BRAVO.
Ode ao cartão de débito
- Saiu o plástico do meu cartão de débito (também já tenho ele há uns bons três anos);
- Pedi há um mês e meio um novo para a minha gerente;
- Ele continua passando normal, pois é de chip:
- Em algumas agências eu não consigo sacar dinheiro;
- Ontem fui pagar uma conta em um Real aqui em Santos;
- Estava sem cheque;
- No caixa eles só passam o cartão pela tarja magnética e não pelo chip;
- Portanto (Destarte), eles não conseguiram fazer a operação:
- Falaram para eu tirar o dinheiro no caixa eletrônico e voltar;
- Advinhem?
- O cartão não passava no caixa;
- Todos da agência Real foram super prestativos e me explicaram que dava para fazer uma Ordem de Pagamento (que custa R$ 25,00), porém a minha agência de São Paulo tem poucas linhas e demora muito para atender;
- Desisti de pagar a conta;
- Tive a certeza de que vou mudar de banco.
Agora depois disso como o Santander tem coragem de lançar uma campanha publicitária que diz:
VAMOS FAZER JUNTOS?
That’s all folks!


2 comentários
Olá Rafael, tudo bem?
Trabalho no Santander com redes sociais e gostaria muito de tentar te ajudar. Pelo seu relato, um dos problemas que ainda está pendente é o cartão de débito, você pode nos enviar seus dados via e-mail (redes.sociais@santander.com.br)para que possamos solucionar o problema do seu cartão.
Quanto ao problema do Call Center, a crítica é muito importante para nós. Desde já gostaria de pedir desculpas em nome do banco por todo esse inconveniente que você passou, e informar que este problema será informado as áreas responsáveis.
Entendo que estas palavras possam talvez parecer evasivas a você, visto que a maioria dos problemas aqui relatados são ações já irreversíveis, mas gostaria muito de certificar que vamos fazer o possível para corrigir estes pontos e se ainda pudermos oferecer a você nossos serviços, quero deixar aberto o nosso canal de atendimento no Twitter (@santander_br) para que possamos conversar, e ouvir de você sugestões e críticas para Juntos construirmos um banco melhor e que faça jus a nossa campanha publicitária.
Um grande abraço,
Déborah Dias
santander_br (Twitter oficial Santander)
sacsantander_br (Twitter oficial de atendimento do Santander)
Déborah,
Primeiramente fico muito feliz pela sua iniciativa em responder a esse post representando o Santander. Enviarei meus dados a você por e-mail, porém sei que milhares de consumidores (que não têm um blog para manifestar sua opinião) estão sendo prejudicados pela péssima integração entre Real e Santander. Depois de tudo que aconteceu na minha relação com o Real-Santander (e que eu narrei nesse post) estou buscando novos bancos que me tratem como “o Rafael,” e não como um “número” (a minha redução de limite ocorreu justamente porque o Santander me viu como um “número de risco” e não como um “jovem com uma carreira promissora”). Tenho ouvido de todos os gerentes com quem conversei (HSBC Advance e Itaú Uniclass) estórias de ex-clientes Real-Santander parecidas com a minha.
Sobre as sugestões e críticas podemos marcar uma reunião de negócios, pois sou designer estrategista e o meu trabalho é lidar com empresas que precisam melhorar (como o Real-Santander). É possível criar estratégias para inovação continuada, possibilitando ao Santander entregar o que, de fato, prometeu em suas campanhas publicitárias. Porém, isso tem um custo (certamente muito menor do que o investido nas campanhas). Dessa forma, me isentarei de fazer mais sugestões e críticas construtivas (só tentarei publicar esse meu relato em uma mídia de grande circulação para que todos saibam o que esperar do “banco melhor que quer fazer junto”).
Grande abraço